Na estreia no Mundial na África do Sul, time de Marcelo Bielsa joga bonito, mas perde muitos gols. Frágeis, hondurenhos têm muitas dificuldades
Em 2002 e 2006, o povo chileno assistiu à Copa do Mundo com um vazio no peito, já que não foi representado no Mundial. Nesta quarta-feira, os jogadores da seleção resgataram este sentimento tão importante para quem gosta de futebol. Foram além. Relembraram, e fizeram outros tantos sentirem pela primeira vez, o quanto é bom comemorar uma vitória na competição. No Mbombela Stadium, em Nelspruit, o Chile derrotou Honduras por 1 a 0, na primeira rodada do Grupo H. Foi o mesmo placar do último triunfo em Copas, contra a Iugoslávia, em 1962, quando sediou o evento. Até a estreia na Áfica do Sul, foram seis empates e sete derrotas. O atacante Beausejour, autor do gol, foi eleito o melhor da partida. Com o resultado, a seleção chilena lidera a chave ao lado da Suíça, que venceu a Espanha também por 1 a 0. Ambas têm três pontos. Na próxima segunda-feira, elas se enfrentam em Porto Elizabeth, às 16h (de Brasília)
Honduras começou mal a sua segunda participação em Copas. A primeira foi em 1982, quando empatou duas vezes e perdeu uma. Na segunda-feira, vai encarar a favorita Espanha, em Joanesburgo, às 15h30m (de Brasília). Hora de tentar fazer milagre.
Vale lembrar que os dois primeiros colocados do Grupo H vão enfrentar os dois classificados da chave do Brasil, que também tem Portugal, Costa do Marfim e Coreia do Norte.
Na base da velocidade, Chile abre vantagem
Beausejour, Valdívia e Alexis Sánchez. O trio ofensivo escalado por Marcelo Bielsa é incansável. Velozes e de toques ligeiros, são jogadores que exigem o máximo de atenção dos marcadores. Foi com um futebol ousado e impetuoso que o Chile começou a Copa do Mundo. Desde o princípio de jogo, os sul-americanos tentaram sufocar a seleção de Honduras. “El Mago” Valdívia, que deixou saudade na torcida do Palmeiras, é quem organiza as jogadas de ataque. Centralizado na linha de frente, sofreu a falta que gerou a primeira chance de gol chilena. Aos dois minutos, Matíaz Fernández cobrou da entrada área e por pouco não surpreendeu o goleiro Valladares. Vidal também tentou de longe, aos oito, e o goleiro hondurenho se enrolou todo para conseguir espalmar.
Honduras se limitou a defender. O técnico Reinaldo Rueda tinha problemas no ataque, já que os titulares David Suazo e Julio César De León foram vetados por problemas musculares. O segundo acabou cortado do Mundial. Nuñez e Pavón os substituíram, mas não conseguiram nada além de alguns chutes prensados.
O Chile também jogou sem um titular. O atacante Humberto Suazo se recupera de uma lesão muscular na coxa direita e foi poupado. Não fez falta. Pelo meio, Valdívia fez Sánchez correr pela direita e Beausejour pela esquerda. Os três deram conta, mas o gol demorou a sair. O 0 a 0 injusto foi persistente, mas não resistiu. Aos 34, Isla foi acionado pelo bom Matías Fernández na ponta direita, partiu em velocidade e cruzou rasteiro para a área. Beausejour chegou de carrinho, dividiu com o zagueiro Mendoza e abriu o placar na marra. Na comemoração, sorriu, apontou para si mesmo e fez sinal de não.
A fragilidade de Honduras ficou ainda mais evidente no segundo tempo. Com exceção de um bom ataque de Álvarez, desarmado na entrada da área, aos dois minutos, a equipe pouco apresentou. O Chile manteve o ritmo forte da etapa inicial, mas não soube liquidar o adversário. Duas chances claras foram desperdiçadas antes dos 20 minutos. Aos 16, Sánchez, que corre feito um guepardo, recebeu na entrada da área, abriu espaço na zaga adversária e bateu cruzado, tirando do goleiro. Tirou demais, e a bola se perdeu pela linha de fundo.
Dois minutos depois, um lance que pode entrar na lista dos mais bonitos da Copa. Após cobrança de falta para a área de Honduras, Vidal apareceu na segunda trave e escorou de cabeça para o centro da pequena área. O zagueirão Ponce fez tudo certo, caprichou no peixinho para sair bem na fotografia, só que esbarrou na linda defesa de Valladares. Reflexo puro.
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